O que eu nunca contei pra ninguém: como tem sido a minha vida na quarentena

Por Cristiane Campanholo

Eu nunca tinha pensado em ficar dias e dias a fio em casa. Tem uma vida lá fora e eu aqui. Mas, de certa forma, eu aprendi muitas coisas com tudo isso.

Eu sempre gostei do movimento, do trabalho profissional, de estudar, de estar me desenvolvendo. Isso faz eu me sentir viva.

Sempre tive muitas atividades também fora do trabalho: trabalho voluntário, estar presente nos ensaios do grupo de danças tradicionais que meu filho participa, encontro com minhas amigas do coração, bike e muitas outras coisas.


De repente, vem um vírus e me faz ficar em casa. Eu e o mundo todo…


Muito estranho, não ter mais que ir para o trabalho, agora trabalhar
home office. E sabe que é bom? Claro, meu trabalho permite. Desde que criamos a Viva Positivamente, decidimos ter uma empresa “na nuvem”: uma boa internet, notebooks wireless para ter mobilidade, software de gestão de projetos na nuvem, software de gestão empresarial na nuvem, agenda na nuvem, papelada toda escaneada e arquivada na nuvem. Tudo “na palma da mão”. Vou te dizer que ajudou muito! Por isso, trabalhar em casa foi fácil. Mudamos a disposição de nosso escritório de casa, abrimos a janela para a luz do sol entrar e “bóra” trabalhar. Se quiser, posso te contar como nós fizemos isso.


Aí começou tudo o que era diferente: temos o hábito de almoçar fora, em restaurante, e temos uma secretária de casa, a Carol, que nos ajuda com as tarefas domésticas, alguns dias da semana. Com o vírus, abastecemos os armários com o suficiente e começamos a cozinhar em família. Sabe que é bom? Eu e o Campa gostamos de cozinhar e nosso filho de 17 anos, o Brunno, ama uma cozinha. É um momento de integração, de amor, muita conversa e de uma alimentação simples, mas saborosa. Continuamos trabalhando, né? Então, precisamos determinar o tempo de cozinha, para que seguíssemos nossas tarefas.


Depois do prazer de cozinhar, tem que lavar e limpar… Não é tão bom assim, mas com tarefas divididas, boas conversas, tudo é feito rapidinho. E aquilo que ensinamos em nosso treinamento do método Empreendedor Líder serve também para uma casa: processos, divisão de tarefas e responsabilidades. Não pesa para ninguém, tudo é feito em harmonia e cada um sabe qual é a sua parte. Para isso existiu comunicação e todos concordaram. A história da louça suja na pia? Aqui em casa não tem, porque quem faz um lanche já lava sua louça, por exemplo. E o Brunno evoluiu o processo, pedindo para todos deixarem as colheres viradas para baixo no escorredor de louça, para que estejam secas na hora de guardar. Sempre para o bem de todos! Combinado não dói, né? Carol, tu faz falta, mas nós nos viramos bem! Deixando em ordem um pouco por dia. Roupa e louça é como boleto: sempre aparecem novos, mas, se estiverem organizados, tudo dá certo.


A parte mais interessante foi o lixo: aprendemos há um tempo a desembalar menos e descascar mais. O que isso quer dizer? Comer alimentos com validade curta, mais naturais. A prova disso é a hora de levar o lixo: três vezes maior o volume do lixo orgânico do que o do lixo reciclável. Vitória! Também para nossa saúde, pois estamos com uma boa imunidade.

Existe reclamação, reina, resmungo? Claro! Às vezes um quer assistir um filme, outro quer outro, nem sempre fecham os gostos, mas no final tudo dá certo. Discussões são boas, mostram que cada um tem suas próprias opiniões e tem o direito a falar. Comunicação é a base de tudo, tanto em casa com três pessoas, quanto numa empresa com mais gente.


Quando combinamos os tempos de trabalho, de estudo, de lazer, percebemos que conseguimos equilibrar nossa roda da vida: trabalho, estudo, família, sociedade, espiritualidade, amigos (on-line, agora), etc. 


O Brunno ontem teve o simulado do ENEM. Tinha tempo determinado para fazer as 90 questões. No começo ele não queria muito fazer, era pesado para ele. E é, de fato, precisa de concentração e resiliência. Como ele se organizou? Como um bom planejador em pleno uso de suas capacidades, ele dividiu em quatro tempos. Entre o primeiro e o segundo tempos, ele fez uma pausa para jogar um jogo. Entre o segundo e o terceiro tempos, a pausa foi para um lanche bem gostoso. Entre o terceiro e o quarto, parou mais uma vez para jogar um jogo. Neste último tempo, tivemos que sair para comprar comida, já estávamos desabastecidos. Quando chegamos em casa ele falou: faz uns 10 minutos que terminei o simulado, na maior tranquilidade do mundo, sem estar esgotado como estaria em outras oportunidades. Ele estava bem, principalmente porque o planejamento dele foi bom, deu certo. Ele adaptou o conhecimento a seu favor: usou a técnica Pomodoro de gestão de tempo. Se quiser saber sobre essa técnica, pode me perguntar que eu te conto.


O Campa e eu todos os dias estamos combinando e planejando conteúdos para que não morra a chama do empreendedorismo, com tantas notícias que geram pânico nas pessoas. Pensamos que um copo cheio de coisas boas, de valor, valem mais do que um copo cheio de pânico, que só gera stress e ansiedade.


Sinto falta do social, dos abraços, do ciclismo com os amigos, dos amigos do CTG, do trabalho voluntário. Mas percebi que os ajustes necessários e a vida em quarentena não tem sido tão ruim quanto pensei que seria. Eu consegui emagrecer 1kg, mesmo em casa! Só porque temos horários certos para as refeições e lanches, como já era um hábito. Isso não mudamos. 


Sobre o isolamento social, só senti o distanciamento físico, porque nunca falei com tanta gente na vida. Algumas pessoas me chamam, outras eu chamo, tudo por um motivo simples, resumido em uma frase: “Interesse-se verdadeiramente pelos outros”. E é um fato, cada vez que lembro de alguém me pergunto como esta pessoa está. Se não consigo saber, chamo e pergunto. Só isso. E como moro num apartamento duplex, não tem como não fazer exercícios, pois essa escada faz a gente subir e descer muitas vezes por dia. Outro dia vou tirar por capricho e contar quantos degraus eu subo por dia! Eita...


Onde isso vai parar, eu não sei. Quanto tempo vai demorar para voltarmos à vida de antes? Eu acredito que, daquele jeito, nunca mais. Tem coisas importantes na vida, que formam o equilíbrio necessário para nos sentirmos felizes. Saúde e dinheiro são importantes? Claro que são! Sem saúde não fazemos nada, sem dinheiro nem comer podemos. Mas só isso não basta, precisamos de mais. Precisamos ser melhores, não apenas ter. Fazer para que possamos ser é muito importante.


Nessa hora, pra mim, o que mais importa é estar bem comigo mesma, com a minha família, com os meus (amigos, clientes, pessoas que quero bem e que me querem bem) e também com a sociedade. Gosto de cumprir regras, elas me fazem bem, por isso sempre fui de criar rotinas. Nada muito rígido, mas coisas como a tia Neuza faz na casa dela: a tábua da carne está pendurada no prego colocado estrategicamente ao lado da bancada, na cozinha. Ela pode estar no escuro, que passa a mão e pega a tábua. Isso facilita a vida dela. Ela tem prótese de quadril, não pode se abaixar, então fez uma horta nos fundos da casa, uma horta alta, para que não precisasse se abaixar para cultivar seus temperos e saladas. Tudo isso é processo, tudo isso evita estar apagando incêndio e faz a vida ficar mais fácil. Organização é para podermos trabalhar menos, “de boas”. Em tudo.


Ah, Cris! Mas isso é chato, tudo arrumadinho, não pode ter nada fora do lugar… Eu não disse isso. Tem um copo na minha mesa desde ontem, uns papéis meio jogados, mas nada que vai me fazer trabalhar mais para resolver depois… É uma linha, pensar antes de fazer, para que tudo fique mais fácil. Gosto do conforto e pra mim conforto é facilidade.


Para isso, se eu pudesse ter todo o dinheiro do mundo, eu iria comprar treinamentos, imersões, livros, conhecimento. E sabe o que é pior? Eu testo, eu uso, eu dou a cara a tapa. Procuro estar sempre em movimento, pois o mundo não para. Nada de estagnação, nem de cobrança em excesso, tudo tem seu tempo para acontecer.


Se eu pudesse te dar um conselho hoje eu diria: aproveite o teu momento. Tira o que há de melhor nele. Se tem algo que não está funcionando bem, não adianta “tapear”, tem que resolver. Só assim você vai ter paz e equilíbrio. E não adianta botar a culpa nos outros, quem resolve sua vida é você. Ame sua família, cada um do seu jeito. Fale o que não é bom, ouve também. Desembale menos, descasque mais, coma menos porcaria. Estude (este é conselho da minha mãe), pois é a única coisa que nunca vão te tirar na vida. Aquilo que você viu, não consegue mais “desver”: uma habilidade nova sempre vai te ajudar em algum momento da vida. Trabalhe, dentro do possível, mas faça o seu melhor. Seja “preguiçoso” e se organize, crie uma sistemática de trabalho para você trabalhar menos. Viva a vida, na essência do que isso significa: o que mais importa para você? Seja você mesmo, sem casca, sem máscaras, na pureza da sua essência, mas leve um pouco de malícia junto para que ninguém te passe a perna.


E se tudo isso que eu falei funciona em casa, imagina quanto facilita a vida em uma empresa, que tem muito mais gente? Então organize-se, crie um sistema de trabalho, faça os tais processos, porque assim você vai poder parar de apagar incêndio e ter uma empresa que funcione sem precisar se envolver em tudo.


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