Funcionários faltam, atrasam e sobra tudo pra mim, o que eu faço?

Por Fernando Campanholo

Outro dia eu li uma pesquisa onde falava que a grande maioria das pessoas que está no mercado de trabalho não gosta do que faz. Este é um dado interessante, mas o que tem a ver com faltas de funcionários?


F
ui me informar mais sobre o assunto e descobri que o artigo foi escrito pelo consultor indiano e professor da universidade americana Harvard, chamado Raj Sisodia. Uma pesquisa mundial da Gallup mostra que 72% das pessoas não gostam do seu trabalho. Deste total, 18% são “ativamente desengajadas”, quer dizer, têm interesse até em prejudicar as empresas em que trabalham.


Já pensou a respeito disso? Mas antes de eu falar mais a respeito, lembrei de uma conversa que tive outro dia com uma aluna que é empresária. Ela expressou um sentimento enorme de frustração em relação à sua equipe. Ela me contou que os colaboradores dela não estavam “colaborando” para que a empresa funcionasse como deveria ser. 


Ela falou que eles chegavam tarde, sem dar muita explicação. Às vezes saíam antes da hora combinada, deixando algum trabalho inacabado. Outro dia um disse que não foi trabalhar porque não dormiu bem. Em outro dia, um colaborador faltou porque tinha ido a uma festa. Outra desculpa foi porque tinha alguma dor.


Essas atitudes comprometem o negócio, os prazos, as entregas, a responsabilidade perante os clientes que, de fato, são quem pagam as contas da empresa.


Você pode pensar que é falta de pulso da chefe, ou até contratação errada. Mas eu vou te falar que não é bem assim, pois esta história não começa do dia para a noite.


Vassoura nova varre bem


Quando uma pessoa nova é contratada para trabalhar na empresa, pode acontecer de ter um “diamante”, alguém que brilha muito e que realmente impressiona nos primeiros dias. Aí vem aquele ditado popular que diz: “Vassoura nova varre bem”.

Vai muito bem, faz tudo direitinho, cativa os colegas e o seu líder, que diz: “Agora sim, achei a pessoa certa”.

Não tarda muito para este mesmo ser brilhante começar a falhar, faltar, ou fazer algo completamente diferente do que a empresa tem como rotina ou como “certo”.


Posso te contar o caso de um rapaz que chegou de outra cidade para trabalhar na empresa de uma cliente e mostrou um trabalho maravilhoso. Ele veio para a nossa cidade para casar, fazia tudo da melhor forma possível. Foi ganhando confiança, até que já tinha a chave do carro da empresa e até a chave da própria empresa. Ficava trabalhando até mais tarde e resolvia as coisas. 


Até o dia em que, por motivos dele e por ter voltado a beber (o que ninguém sabia), ele começou a falhar. Separou da esposa, “caiu na gandaia” e não fazia o que tinha que ser feito. Chegava atrasado, não terminava o serviço no cliente e realmente deixou a desejar.


Quando a chefe chegava para conversar, ele dizia “Mas você precisa compreender que eu não estou bem, acabei de me separar”. Ou até “Sempre fui um bom funcionário, agora você está me crucificando”. E ela ficava com pena, passava a mão na cabeça e deixava ele continuar, no tranco dele.


Até que chegou o final do ano, na época das maiores entregas da empresa. Era dia 20 de dezembro, pertinho do Natal. Ele ligou para a empresa e disse: “Estou voltando para a minha cidade”. E foi assim, por telefone, que ele pediu demissão. Não foi nem buscar o dinheiro da parte do salário que ainda faltava receber.


E mais uma história de pessoa que literalmente “dá nos dedos” da empresa. É de doer!


E então? Chegou a hora de “desacreditar” no ser humano? De dizer que não adianta contratar, já que não vai dar certo?


Chegou a hora de tirar a emoção da situação. Vamos aos fatos...


No Brasil, onde diz que roubar é crime? Na Constituição. Lá tem as leis que dizem o que é errado e o que não é. Não existe bom-senso, existe “preto no branco”, está escrito.

Vamos imaginar uma pessoa roubando. Em seguida a polícia pega no flagra. Imagina o ladrão dando explicação para o policial “Mas é que eu tinha fome”. E o policial libera… Quando vê, está cometendo crimes hediondos e dando desculpas esfarrapadas.


Se você gosta de ler, continue, se quiser assistir, aí vai o link do vídeo:

Faça isso e diminua faltas e atrasos de funcionários


A mesma coisa acontece em casa, quando uma criança pequena pede para comer um chocolate antes do almoço. Se os pais permitem uma vez, ele não almoça direito, à tarde está com fome e começa a choramingar. No outro dia ela viu que pode, aí pede de novo. De quem é a responsabilidade de resolver este ciclo vicioso? Da criança? NÃO, a responsabilidade é dos pais.


Regras são regras e devem ser cumpridas


E assim também acontece nas empresas. Quem está no topo da pirâmide organizacional, o empresário, é quem precisa ter regras bem definidas para seu negócio e para sua equipe. E não basta ter as regras na cabeça, tem que estar no papel. 


O primeiro documento que o empresário precisa ter é o Regulamento Interno. Nele devem constar o que é aceito na empresa, o que não é aceito, desde comportamentos até o uso do celular. Também como são os horários, férias, que dia é o pagamento, como é o uso do uniforme, se vai ter gravação das imagens por câmeras na empresa. É importante que você passe este documento para o seu advogado conferir, para que não fira as leis trabalhistas.


Como diz o velho ditado: “Combinado não dói”. E é o que é.


E não basta as regras estarem escritas. Você, como empresário, precisa fazer com que seus funcionários entendam o porquê daquelas regras. Só falar não vai fazer com que as pessoas compreendam, você precisa fazer com que leiam, tirem suas dúvidas, guardem uma cópia para quando precisarem ler novamente e assinem o recebimento. 


Se der algum problema, você pode pegar o documento assinado e mostrar onde está a regra. E provar que ele leu, tirou suas dúvidas e assinou.


E só isso é suficiente? Pior que não é. Assim como você vende produtos/serviços para seus clientes, você também precisa criar a habilidade de vender ideias para sua equipe. Precisa usar a razão, que é baseada no “porquê” das coisas.


Por isso não adianta jogar uma cópia do regulamento interno em cima da pessoa, pois ele precisa entender por que motivo cada coisa daqueles está escrita.


Assim é gerado o engajamento. A pior coisa que tem é alguém te dizer “É assim e pronto. Cala a boca e obedece”. Mas por quê? Explica!


Se você explicar, liderar, engajar, você vai ter seguidores que estarão felizes em ter regras, que ele sabe que valem para ele, para os colegas e para o chefe também. Que é justo. Que “combinado não dói”.


Lembra que eu falei lá no começo que a maioria das pessoas não gosta do trabalho que elas fazem? Sabe o porquê? Porque não explicam as coisas para elas, porque não têm desafios que fazem o seu coração vibrar, porque não são elogiadas e, principalmente, porque elas não têm algo maior para seguir, um legado, um motivo além de ganhar dinheiro e ouvir cliente chato.


Este algo mais é importante para elas, uma causa. E a causa é da própria empresa, um porque existir. Bem, isso é outra história, vou falar outro dia…


E sabe o que é uma coisa que mais faz as pessoas não gostarem do que fazem? Desorganização, não ter regras, oba-oba. É sério, pode perguntar para quem trabalha como funcionário.


Conclusão


Uma empresa precisa de regras e de comprometimento. É função do empresário criar,  validar estas regras e engajar a equipe para que sejam cumpridas. Pode pedir ajuda, mas tem que ser exemplo de quem é o maior “cumpridor” do regulamento interno, afinal, regra é para todos.


Vamos para um resumo. Para evitar que as pessoas faltem no trabalho, é necessário:


  1. Ter o documento com as regras - Regulamento Interno;

  2. Fazer com que a equipe compreenda o porquê das regras;

  3. Ser justo: o colaborador está trocando horas de trabalho por remuneração, você ganha o trabalho e ele o seu sustento.


Se está escrito que se não pode ser e descumpriu, precisa ser cobrado. Faltou por doença e não trouxe o atestado, está no regulamento, vai ter que fazer cumprir. 


Tem que ser justo. Vale para um, vale para o outro. Você tem que cumprir as suas obrigações e as da equipe estão no Regulamento Interno.


É um ganha-ganha. Precisa valer para os dois lados.


Estas coisas simples são imprescindíveis para que você possa ter uma empresa organizada e que não dependa de você para tudo.



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